Sunday, October 19, 2008

Uma Aprendizagem



Clarice Lispector

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Monday, October 13, 2008

As Mulheres têm fios desligados II


...
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos.
A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que se deitam lá e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia. (para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre.
Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. de Schubert. de Ovídio. De Horácio. De Virgílio. De Velasquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção.
Não tenho nada contra os homens a não ser no que refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui (espero que não muitas vezes) rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais.
Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim.
A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de se fazer batota com os outros.
O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta.
Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres, etc. que mulher não ouviu bugigangas destas?
Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e eu estou a ver a cara dele à banda.
Nem uma lágrima para amostra.
Rua.
A mesma lágrima para amostra.
Rua.
A mesma amiga que para uma amiga sua
-O que faço com as cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
-Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome.
Perguntei à minha amiga
-E depois de ele se ter ido embora?
-Depois chorei um pouco e passou-me.
Ontem jantámos juntos.
Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto.
Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me.
Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

António Lobo Antunes
in Visão

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Thursday, October 09, 2008

As mulheres têm os fios desligados


Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem
perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
o que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes.
Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
-Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações no género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou mas foi
- Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
-Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres.
Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e das gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça.
Não se apaixonam; entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão.
Ignoram o que ela sonha, instalem-se no sofé do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminuitivos, palermices e nós ali a atura-las.
O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm os fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com no aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
- Não quero mais
...

António lobo Antunes
in Visão 31 julho 2008

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Friday, September 12, 2008

Saber Viver


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto.

E, então, pude relaxar.

Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.

Hoje sei que isso é... Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento .

Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.

Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável.

Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.

Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.

Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.

Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.

Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro.

Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.

Hoje vivo um dia de cada vez...

Isso é...Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.

Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Tudo isso é....Saber viver!!!

"Não devemos ter medo dos confrontos...

Até os planetas se chocam e do céu nascem as estrelas."
(Charles Chaplin)

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Wednesday, September 03, 2008

amor


Cabanas, 15/12/2007


Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis

Carlos Drummont de Andrade

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Wednesday, March 26, 2008

Não: não quero nada...


Lisbon Revisited

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) –
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrario disto, o contrario de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou só sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul – o mesmo da minha infância –,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silencio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos
(1923)

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Monday, November 26, 2007

Life...



photo by Raul Alexandre

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Tuesday, November 20, 2007

Happiness


Quadro de Paulo Damião "Olhares"

A maior felicidade é a certeza de sermos amados apesar de ser como somos.
Vitor Hugo

The greatest happiness is the certain of being loved despite of who you are.

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Sunday, November 11, 2007

Love is




Photo by Amanda Com

O amor é o nosso estado natural quando não optamos pela dor, pelo medo ou pela culpa.
Willis Harman e Howard Rheingold

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Thursday, November 01, 2007

Nostalgia



Is it possible to be nostalgic about something we never had?

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Monday, October 29, 2007

Inside my heart


Photo by: Pedro Moreira

This is how I feel inside

Always rainning

Alone


Only inside


Out I am showing

a all new woman

Only outside

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Tuesday, October 23, 2007

Caminho



Quando é que eu vou encontrar o meu caminho!?

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Saturday, October 06, 2007

Questões


photo by José Marafona

AAAAAARRRRRRRRRGGGGGGGGGGGHHHHHHHHHH!


Apetece-me gritar


Tantas questões, dúvidas, incertezas...




Porque é que complicamos tanto a vida!?

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Saturday, April 21, 2007

A Dúvida



1964. Uma igreja e escola católicas. Bronx, Nova York.

Um Padre é suspeito de assediar sexualmente uma criança de 12 anos.

A Madre Superiora acusa-o. O Padre reclama a sua inocência.

Será ele culpado ou inocente?



Interpretação Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo
Sala Principal
Em cena de 27-03-2007 a 06-05-2007

de John Patrick Shanley

encenação Ana Luísa Guimarães

4ª a sáb. às 21H30 | domingo 17H

Já fui ver e achei uma peça magnifica!
O texto, a Interpretação, o cenário e as luzes.
não percam este teatro só até 6 de Maio.

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