Wednesday, September 27, 2006

À Beira de Água

Photo by: Luis de Brito

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.



Eugénio de Andrade
''Os Sulcos da Sede''

1 moonlovers:

Blogger cavalo marinho com asas said...

Deixa-me sentar ao teu lado! Deixa-me ouvir o silêncio!
Dói-me tanto a alma! Quero mergulhar no tanque daquele tempo em que não tinha o coração magoado!
Estou onde sempre estive... O silêncio corre-me nas veias!

Thursday, September 28, 2006 2:21:00 am  

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