Saturday, May 06, 2006

Soneto da Separação



Soneto da Separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

VINÍCIUS DE MORAES (Brasilien Poet)

2 moonlovers:

Anonymous carlagraca said...

De repente... senti-me voar, envolta pela bruma, levada pelo vento...
De repente, não mais que de repente!
I´m a moonlover too!!!!

Saturday, May 06, 2006 1:30:00 pm  
Blogger Moonlover said...

Benvinda á minha clareira! ;)

Saturday, May 06, 2006 2:01:00 pm  

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